domingo, 1 de junho de 2014
Nossa Jornada - resumo.
Inicio da jornada: 30/04 (Flavio) saída de Barra Velha.
# Parada em Curitiba comprar segunda pele. Dormir na casa do compadre Ricardo, em Ponta Grossa/PR.
300 km nesse dia.
01/05 Saída as 4:00 h abaixo de chuva e muito vento. Enquanto era pista dupla consegui andar alguma coisa, porem quando ficou pista simples ficou muito critico. Parei para descansar e aguardar o dia amanhecer. As 9:30 h consegui encontrar com os amigos José Américo e Edson Salsicha em Ourinhos/SP. Conhecemos alguns motociclistas que também estavam em viagem. Almoço em Presidente Bernardes. Susto sobre a Ponte do Rio Paraná (Divisa de Estados SP/MS). Fortes rajadas de vento. Motos querendo ir sozinhas para o barranco... Condições das estradas muito boas.
Pernoite em Terrenos/MS.
1000 km nesse dia.
02/05 Saímos cedo de Terrenos/MS. Parada para descanso e esticar as pernas no Restaurante Pantaneiro em Miranda/MS. Chegada em Corumbá/MS as 11:30 h. As duas Shadows foram para a revisão e nós almoçar. À tarde fazer os tramite na fronteira entre Brasil/Bolívia. No Brasil, tudo rápido e fácil, sem custo algum. Já na Bolívia, muitas cópias, preencher inúmeros papéis, demora no atendimento, burocracia e desinformação generalizada. Fomos à polícia de transito (isso foi muito necessário) fazer outra liberação. Pagamos 50,00 bolivianos (R$ +- 18,00) pelo documento, que na real foi o único que pediram na viagem.
Pernoite em Corumbá/MS.
450 km nesse dia.
03/05 Saída as 7:00 h de Corumbá/MS em direção à
Santa Cruz de la Sierra/BO. Com a documentação toda acertada no dia anterior a passagem pela aduana foi tranquila. Estrada nova, quase sem movimento de veículos, em compensação o que tem de gado solto na estrada é brincadeira. São +- 570 km de estrada muito boa. O grande porém fica por conta da gasolina. O governo boliviano tem preços diferenciados para “estrangeiros”. O custo do litro para nós era em torno de R$ 3,50, já para os bolivianos ou então se comprássemos em galão o valor é +- R$ 1,00. Minha moto acendeu a luz da temperatura. Parei e desliguei. Em seguida apagou e não acendeu mais. Descobri mais tarde que o reservatório estava seco. O almoço foi desastroso. Faltando uns 80 km para chegar a Santa Cruz de La Sierra saímos da boa rodovia e entramos na prima pobre dela. Muito buraco, trepidação e um transito muito louco. Nessa rodovia pagamos o primeiro e único “pedágio” para motos. Propina pura.
Pernoite em Santa Cruz de La Sierra.
650 km nesse dia.
04/05 Saída de Santa Cruz de la Sierra/BO em direção à
Cochabamba/BO. Dia muito tenso. Começamos a andar por estradas muito ruins. Em algumas serras a estrada estava detonada. Caiu barranco, caiu estrada e foi um trecho muito longo. O suporte da grelha da minha moto quebrou. Meu baú traseiro caiu e arranhou o para-lama. Fui com ele amarrado até Cochabamba. Gasolina comprada em galão com um “açougue” junto. Nojento. Passamos por um túnel de aproximadamente uns 200 m, em curva e sem nenhuma iluminação. Coisa de doido.
Pernoite em Cochabamba/BO
400 km nesse dia.
05/05 Saída de Cochabamba/BO em direção à La Paz/BO. Estradas um pouco melhores. Estão duplicando a rodovia. Muitos desvios com trechos de estrada de terra e pedra. Assim como cá, muitas placas “enaltecendo” o presidente e a obra que é bom, quase parada. Chegamos cedo à La Paz (16:00 h). Transito caótico e pra completar a moto do Edson Salsicha entra em pânico no meio de algumas dezenas de vans. Os guardas de transito foram muito bons. Seguraram o transito, o Américo empurrou a moto para a calçada e eu fique guarnecendo as motos, tudo isso em meio ao verdadeiro caos. Quem acha que transito no Brasil é ruim, precisa andar na Bolívia. Tiramos o filtro de ar da moto e ela funcionou. Chegamos ao hotel, próximo a estação rodoviária.
Pernoite em La Paz/BO.
450 km nesse dia.
06/05 Visitamos La Paz/BO. Museu São Francisco e lojinhas. Almoçamos em um lugar onde o Américo já conhecia. A tarde um passeio pelo “Bus Tour” (Frescão) pela cidade e Vale da Lua. Parque muito interessante, onde as rochas formam figuras muito interessantes, parecidas com o solo lunar.
Pernoite em La Paz/BO.
As motos descansaram nesse dia.
07/05 Troquei o óleo da Mis Black e saímos em direção ao Peru. Passamos pelo Lago Titicaca e chegamos a Desaguadero/BO para fazer os tramites de saída da Bolívia. Tudo certo, atravessamos a fronteira para o Peru as 11:00 h. A aduana do Peru foi rápida e sem enrolação. Almoçamos em Desaguadero/PE e seguimos viajem. Chegamos à Mazo Cruz/PE as 16:00 h e fomos procurar gasolina (vendida em galões) e depois um lugar para dormir. Ficamos em um hostel sem banho e com sanitário coletivo. Na nossa avaliação o pior lugar que ficamos.
Pernoite em Mazo Cruz/PE
+- 400 km nesse dia
08/05 Madrugada gelada (-15 º). Pela manhã gelo em cima das motos e água congelada. Minha moto não funcionou pelas vias normais e teve que ser puxada. Muito frio. Rodamos uns 50 km e o Américo começou a passar mal. Principio de hipotermia. Chegamos à um posto de pedágio e fomos muito bem tratados. Os policiais arrumaram cobertores para aquecer o Américo e nos deram um chá quente de folhas de coca. Após uma hora estava recobrado e retomamos a viagem. No caminho encontramos um grupo europeu com motos BMW e carro de apoio fazendo um tour. No final da tarde chegamos ao oceano Pacifico. Imagem que ficará marcada por muito tempo.
Pernoite em Camaná/PE
+- 400 km nesse dia.
09/05 Dia tranquilo. Saída de Camaná logo cedo. Passamos por vários lugares muito bonitos. Próximo à Ica/PE existe muita plantação de frutas.
Pernoite em Ica/PE
+- 500 km nesse dia.
10/05 Café da manhã reforçado e partimos de Ica. Logo à frente uma rodovia em pista dupla. Ao parar para abastecer encontramos 3 motociclistas mato grossenses que estavam indo para uma festa próximo de Lima. Chegamos a Lima ainda pela manhã. Procuramos um hotel e nos estabelecemos. No centro e bem “movimentado”. Transito de Lima é caótico. Descansamos o restante do dia.
Pernoite em Lima/PE
315 km nesse dia.
11/05 Visita à Lima. Saímos cedo e fomos andar. Conhecemos o Palácio do Governo, uma linda Igreja e o museu ao seu lado. Nada de fotos. O museu tem umas catacumbas fantásticas, onde eram “enterrados” os padres e populares. Tem muito osso por ali. Fizemos um passeio de táxi e fomos conhecer a orla do litoral de Lima. Bairro muito chique e bem conservado. Após o almoço mais uma caminhada até o Parque de Águas. Esse lugar é passagem obrigatória para quem visita Lima. Maravilhoso.
Pernoite em Lima/PE
Nesse dia as máquinas descansaram.
12/05 Saímos de madrugada de Lima para evitar o transito muito louco da cidade. Voltamos pela pista dupla até Pisco e de lá seguimos rumo à Ayacucho/PE.
Pernoite em Ayacucho/PE.
550 km nesse dia.
13/05 Dia bastante tenso. Enganamo-nos em algum ponto da estrada e chegamos ao final do asfalto com estrada de terra e muita pedra. Foram uns 50 km andando à 10/15 km por hora. Passamos por um atoleiro com uma carreta quase fechando a estrada. Apesar de tudo chegamos inteiros em Abancay.
Pernoite em Abancay/PE
300 km nesse dia.
14/05 Chegamos a Cuzco ainda pela manhã. O grande objetivo de nossa jornada. Compramos as passagens do trem para Águas Calientes (Machu Picchu) pelo “módico” valor de US$ 163,00. Achamos um hostel, que foi indicação do amigo Carlão Viageiro. Nada de luxo, banheiro coletivo, mas bem em conta. Muitos estrangeiros hospedados. À tarde uma voltinha por Cuzco e fechar o restante do passeio. Mais US$ 100,00 pelo restante do pacote – transporte do hotel até a estação ferroviária, micro ônibus para subir até entrada do Machu Picchu, guia, entrada, retorno de micro ônibus até a estação de Águas Calientes, trem de retorno até Ollantaytambo e ônibus/van até o centro de Cuzco. Tudo em Cuzco/Machu Picchu é feito para se gastar muito dinheiro.
Pernoite em Cuzco/PE
200 km nesse dia.
15/05 Acordar muito cedo 5:00 h para aguardar o transporte até a estação ferroviária. O trem que vai até a base do parque é muito confortável. Servem café da manhã durante o trajeto e tem informações sobre o trajeto, porém apenas em espanhol e inglês. Havia muitos brasileiros nessa viagem, inclusive um grupo de terceira idade do norte do Paraná, mas o guia era de Joinville/SC. A viagem demorou aproximadamente umas 2:30 h. Na chegada tinha uma pessoa nos aguardando para encaminhar-nos aos micro ônibus que nos levaria até a entrada do parque. Nosso guia não apareceu, porém nos foi disposto outro. Tudo é muito bonito e grandioso. Sonho realizado. Lá pelas 15:00 h já estava “quase morto” de cansado. Descemos até Águas Calientes e eu fui tomar uma cerveja e comer. Comprei mais alguns presentes e aguardamos o trem para voltar. Ao chegar em Ollantaytambo havia uma senhora a nos encaminhar para a van que nos levaria até Cuzco. 1h e meia de viagem. Chegamos no hotel as 23:00 h.
Pernoite em Cuzco.
Nesse dia as máquinas descansaram.
16/05 Tomamos café no hostel. Encontramos um casal de canadenses que estavam a muito tempo na estrada. Cada um com sua BMW 650. Casal muito simpático. O objetivo deles é chegar até o Ushuaia. Dizem que em outubro passarão pelo Brasil. Deixei o convite para nos visitarem. Em seguida seguimos em direção à Puerto Maldonado. Entramos na Transoceânica. Subimos muito. Primeira vez que passamos ao lado das geleiras. Muito frio mesmo. Mas a melhor parte vem em seguida. Descemos mais de 2000 m de altitude e chegamos à floresta amazônica. Enfim calor.
Pernoite em Puerto Maldonado/PE
470 km nesse dia.
17/05 Eu fiquei muito ruim da barriga, foi um dia terrível. Mas chegamos à fronteira. Tramites na fronteira do Peru realizado e estamos liberados. Entramos no Brasil as 10:00 h e passamos pela Policia federal e tudo certo. Seguimos em direção à Rio Branco/AC. Na entrada de Xapuri um guarda rodoviário Federal nos para. Queria bater papo e conhecer a nossa historia da viagem. As estradas do estado do Acre estão em péssimas condições. Perigosas. Chegamos à Rio Branco no entardecer. A motociclista Janes do Grupo 100% Amazônia nos recepcionou e levou para a “Toca da Arara”, sede do grupo. Passamos o final de semana ali. Foram inúmeras visitas dos motociclistas acreanos.
Pernoite Rio Branco/AC
580 km nesse dia.
18/05 Descansamos em Rio Branco/AC. Domingo divertido. Churrasco e cerveja e muitas visitas.
Pernoite em Rio Branco/AC
Nesse dia as máquinas descansaram.
19/05 Logo cedo fui tomar um chimarrão com meu amigo Paulo e depois trocar o óleo das motos. Américo e Salsicha na concessionária Honda e eu na loja onde trabalha um integrante do grupo que nos acolheu. Pessoal muito gente boa. Em seguida nos acompanharam até um trecho da estrada para nos dar adeus. Seguimos até Plácido de Castro/AC em companhia do amigo Paulo e fomos visitar meu estimado amigo Amauri. Faziam 30 anos que não nos víamos. Almoço de patrão. Até paca ao molho nos foi oferecido. Saímos de Plácido em direção à Porto Velho/RO. Chegamos na balsa do Rio Madeira ao entardecer. Ao terminar a travessia já estava noite escura. Na saída da balsa um grande atoleiro. Minha moto (Vulcan) atolou. O Américo e o Salsicha me ajudam e tiramos a moto. Mais adiante em um lugar onde a água da represa passa por cima da estrada a moto do Salsicha resolve mergulhar. Perdeu o chão e foi pra água. A moto não funcionou mais. Foi rebocada por 200 km. Chegamos em Porto Velho as 4:00. Liguei para meu cunhado Marcelo e ele foi nos buscar.
Pernoite em Porto Velho/RO
570 km nesse dia.
20/05 Parada em Porto Velho/RO para descanso, comer churrasco e tomar muita cerveja. Moto do salsicha na oficina.
Pernoite em Porto Velho/RO
Nesse dia as máquinas descansaram.
21/05 Nova passada na oficina para investigar uma luz acessa no painel da Shadow do Salsicha e depois rumo ao sul. Almoço em Jaru/RO e parada no Posto do Japonês em Pimenta Bueno/RO.
Pernoite em Pimenta Bueno/RO
520 km nesse dia.
22/05 Café e saída de Pimenta Bueno. Dia tranquilo. Estradas continuam ruins.
Pernoite em Cáceres/MT
725 km nesse dia.
23/05 Tomamos café e saímos de Cáceres. 5 km adiante começa muita chuva que nos acompanha até a noite, com pequenos intervalos de sol. Dia muito tenso pela chuva, estrada ruim, bastante transito de caminhões pesados e alguns “problemas” relacionados ao grupo de viagem.
Pernoite em Alto Garças/MT
580 km nesse dia.
24/05 Manhã com muito nevoeiro e chuvisco. Saímos do hotel encapotados. Seguimos até Chapadão do Sul/MS.
# As estradas do estado de Mato Grosso são uma lastima. Os governantes desse estado deveriam ter vergonha na cara.
Almoçamos em Cassilandia/MS e depois Aparecida do Taboado/MS e a divisa de estados entre o Mato Grosso do Sul e São Paulo. Entramos em um mundo novo e muito bom. Estradas de São Paulo duplicadas e sem buracos ou trepidação. Velocidade sobe para bons 110 a 120 km por hora. Começa a render a viagem.
Pernoite em Olímpia/SP
800 km nesse dia.
25/05 Nosso passeio pela Águas Termais de Olímpia fica adiada. O Edson não está passando bem e resolvemos seguir em direção à capital. Antes passamos para almoçar na casa do irmã do Américo – Rita, em Americana/SP. Partimos as 15:00 h e paramos em um posto da rede Graal. Muito bonito mesmo. A partir dai começa a chover e seguimos em direção à casa do Américo, na capital paulista. Chegamos já escuro. Guardamos as motos e fomos jantar uma pizza.
Pernoite em São Paulo/SP
450 km nesse dia
26/05 Dia de passear e encontrar os amigos em São Paulo. O Américo me levou para conhecer as ruas onde tem tudo para motos e depois fomos almoçar com os Irmãos/Amigos Bahia, Jirschik, Vital e Assad. À noite recebemos a visita do Beija Flor e do Edson, Adriana e Belinha para comermos mais uma pizza. Cerveja, pizza e boa conversa até a meia noite.
Pernoite em São Paulo/SP
Nesse dia as máquinas descansaram.
27/05 Saímos de casa as 8:00 h. Meu Amigo/Irmão Américo me leva até o inicio da Rodovia Regis Bittencourt e nos despedimos. Sigo agora sozinho. Logo a frente preciso parar para colocar a capa de chuva. Serra do Cafezal chuva fraca mas constante. Parei algumas vezes para abastecer e lanchar. Outras paradas para descansar mesmo. Curitiba com chuva. Ao descer a serra de Joinville acaba a chuva. Em Joinville paro para avisar a esposa, ordem dela, e tirar a capa de chuva. Chego em Barra Velha/SC, minha casa, as 17:00 h e assim acaba a minha jornada.
Pernoite em Barra Velha/SC – Minha casa.
450 km nesse dia.
Resumo da Viagem:
11200 km em 28 dias.
Um agradecimento muito especial aos Companheiros de Viagem: José Américo e Edson “Salsicha”.
Aos amigos/irmãos motociclistas que acompanharam e torceram pelo sucesso de nossa viagem o meu Muito Obrigado e estarei a disposição para contar mais histórias e dicas para quem quiser fazer esse roteiro ou outro qualquer. Tudo nessa vida é aprendizado.
“Ninguém é tão grande que não possa aprender ou tão pequeno que não possa ensinar”.
Assinar:
Postagens (Atom)